Rasgo muito papel.
Cresci numa fábrica de papel. A aprender como rasgar folhas sem me cortar. A conhecer a flexibilidaded robusta do papel. A cortar qualquer tipo de página ou caixa para acelerar a trituração da mó de granito. Acelerar a fusão de todas imagens, no interior cinzento do cartão.

Rasgo papéis (quase) todos os dias. Rasgo papéis que guardam esboços, de pensamentos que me atravessam, interrompem, sem que tenha tempo para delas me ocupar, e que preservam a potência do que pode vir a ser. Rasgo-as quando se cumprem. Ou, quando numa leitura posterior, não as desejo cumprir.

Sinto prazer no rasgar do material. Um toque que despedaça e se despede das ideias que não sabem como tocar a pele.