Mesmo na Orla do Nada Há Ar é escrita do coração partido de uma pessoa autista.

No recobro de dois anos (a que se somam os presentes meses) em que o viver se parecia rarefazer a cada respiro, reencontrei fôlego recusando a internalização da vergonha advinda da censura pelo desajuste e excesso das minhas emoções e querenças, e da culpa por reagir com estortor à sátira, ao abandono emocional, da troça, da mentira, dentro de uma relação íntima -- onde eu estava só, mas não só, na companhia do ar que manteve vivo.