Ruminar o Museu é um evento artístico desenvolvido pelos artistas André Alves, Filipa Araújo e Max Fernandes sobre museus e comunidades, com lugar no CIAJG (Guimarães), no âmbito do Dia Internacional dos Museus (2022/05/18).

Ruminar a história: reflexão ou autoabsorção? Rever
“Ruminar” descreve um voltar a moer, um voltar a contemplar. Ruminar é a capacidade específica de um grupo de mamíferos herbívoros de serem capazes de voltar a trazer à boca o que foi ingerido, mas não digerido. Ruminar serve uma melhor absorção, a integração.
Ruminar também descreve um tipo de pensar inquieto, que volta a si mesmo, para voltar a pensar. Mas, ao contrário do remoer digestivo, que facilita a ingestão, o pensamento ruminante fica preso ao remoer das diferentes possibilidades. Trata-se de um tipo de reflexão que não parece chegar a uma imagem ou sentido claro, e por isso, um pensar que fustiga. Ruminação pode ser entendida como uma dificuldade de escapar de um pensamento que se come a si mesmo, um pensamento-espelho, narcísico.
A história é a narração, estória, de sequências de fatos ou ocorrências passadas. Essa ordenação naturaliza determinadas escolhas, relações, valor e hierarquias, visibilidades e omissões. A história é parcial. Não é neutra. Porque a história é uma ingestão escolhida—e tantas vezes indigestão— há que perguntar: a história rumina ou reflete? Isto é, pensa sobre si mesma como um espelho autocomplacente, uma narração absorta, que se auto-confirma, ou como um espelho que revela o não-visto, o omitido. A história repete ou repensa?