O que falta é amor
O Sol Aceita a Pele Para Ficar
Guimarães, Portugal
[English version coming soon]

O que falta é amor foi um evento que teve lugar no espaço artístico O Sol Aceita a Pele Para Ficar (Guimarães) no dia 10 de Junho de 2017. 

O que falta é amor desenvolveu-se como reacção ao contexto de expropriação do espaço artístico O Sol Aceita a Pele Para Ficar, suportado por Filipa Araújo e Max Fernandes afim de se construir um parque de estacionamento.

 O que falta é amor explora um traço comum entre a ideia de amor e a ideia de política: a produção e o sustentar da mutualidade - o movimento de imaginar e manter o outro próximo, de convocar o alheio e um movimento de permanência, de fazer ir o outro do nosso presente ao futuro. Foi esta possível semelhança entre a ideia de amor e as práticas políticas que esteve na base do evento artístico (e cívico).

A partir desta ideia, deu-se a recuperação de um formato artístico - o sarau poético - como possibilidade dentro das artes visuais: o poema, a estória, enquanto tipo de imagem com uma movimentação temporal e subjectiva mais ampla. Esta recuperação segue a proposta de Lawrence Ferlinghetti, sobre a possibilidade e valor do pensamento poético (da escrita? da leitura? da partilha?) como uma arte de insurgência.

O que falta é amor  explorou a possibilidade da partilha colectiva de visões privadas, sensíveis e emotivas, como possibilidade através da qual as linhas do social podem ser pensadas e re-imaginadas. Procurou-se dar forma à urgência, dar corpo ao fogo que arde sem se ver.

O espaço O Sol Aceita a Pele Para Ficar foi alterado na sua totalidade
Sobre o chão e paredes do espaço foi pintado um traçado de um eventual parque de estacionamento, sobre o qual se colocaram plataformas e amplificação para a leitura de poemas. Por cima desse traçado criaram-se outras zonas, como o de um jardim temporário - uma possível alternativa ao parque de estacionamento - zonas de leitura, um pequeno jardim de Amores-Perfeitos (planta que simboliza o amor e cuja essência é usada por certas prácticas como elixir da paixão), uma prateleira com Amores (um doce local produzido pela Confeitaria Clarinha, oferecidos generosamente para o evento) e uma outra prateleira, dispondo centenas de poemas, textos, letras de música respondendo à convocatória pública feita durante o mês antecedendo o evento. Procurou-se assim povoar o espaço com diferentes sentidos sensoriais e conceptuais do amor. Foi ainda servida uma refeição ligeira.

Em O que falta é amor , público e convidados leram poemas, canções e textos (seus ou citados) sobre diferentes possibilidade e ideias em torno de condições, definições, visões sobre amar, perder, sobre ser expropriada (por interesse ou  própria e alheia), sobre o amor como táctica que interrompe o vazio e sustenta o futuro.

Juntaram-se a este evento ainda as contribuições artísticas de Fernando José Pereira, Paulo Aureliano da Mata, Gabriela Vaz Pinheiro, Kids of the Ranch, Rute Rosas, Nuno Ramalho, Sofia Barreira, Rita Castro Neves e Daniel Moreira.


na imagem, a contribuição de Gabriela Vaz Pinheiro (fotos da performance “Espalha corações”, projecto feito a partir da obra “My Hands are My Heart”, de Gabriel Orozco).


na imagem, a contribuição de Nuno Ramalho.

Documentação fotográfica por © Max Fernandes e © Miguel Oliveira

Projecto realizado com o apoio do Laboratório das Artes, da Oficina, Confeitaria Clarinha e pelo Apoio Pontual às Artes Visuais da Fundação Calouste Gulbenkian